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Professores homossexuais morrem carbonizados na Bahia

16 de Junho de 2016

Noticia 5631
População de Santaluz, Bahia, na passeata contra a morte dos professores gays. Foto: vermelho

No mesmo final de semana em que um ataque a uma casa noturna gay nos EUA chocou o mundo, uma pequena cidade do sertão da Bahia se mobilizou, de forma inédita, em repúdio ao assassinato de dois professores homossexuais. Moradores da cidade de Santaluz fizeram na manhã da última segunda-feira (13) uma passeata pela ruas da cidade, em protesto contra o assassinato de dois professores na sexta-feira (10) passada. Com cartazes em mãos, eles pediram paz e, principalmente, uma solução para o crime.


Edivaldo Silva de Oliveira e Jeovan Bandeira deixaram a escola estadual em que trabalhavam em Santaluz, a cerca de 260 km de Salvador, por volta das 22h da última sexta-feira (10).


Menos de uma hora depois, dois corpos foram localizados no porta-malas no carro de Edivaldo, às margens da rodovia BA-120. O veículo e os corpos estavam carbonizados.


Edivaldo, que era conhecido como Nino, foi identificado pela arcada dentária. Sob chuva, o corpo do professor foi enterrado na última terça-feira (14), após um cortejo de duas horas que reuniu centenas de moradores.


O delegado João Farias, que apura o caso, disse à BBC Brasil que a homofobia é uma das possíveis motivações do crime, mas trabalha com várias possibilidades. Segundo informou a Polícia, a casa de Edivaldo foi encontrada revirada após o crime, mas objetos de valor, como computador, não foram levados.


"Eles eram muito amigos e muito queridos na cidade. Também não teriam inimigos. Já ouvimos várias pessoas e por enquanto não descartamos nenhuma hipótese", disse o delegado.


Homofobia


Para o Grupo Gay da Bahia, que faz levantamento nacional de assassinatos de homossexuais, trata-se de mais um caso motivado por homofobia.


"A cidade inteira acredita nessa motivação", disse à BBC Brasil Marcelo Cerqueira, presidente do GGB.


De janeiro a junho deste ano, segundo a ONG, foram 16 casos de assassinatos de pessoas LGBT na Bahia e 123 no Brasil.


No ano passado, o GGB registrou 319 mortes por homofobia - ou um crime de ódio a cada 27 horas. Desse total, 33 (10,3%) foram na Bahia, que ficou atras apenas de São Paulo, com 55 (17%).


Em termos relativos, segundo o GGB, Mato Grosso do Sul registrou o maior índice de casos, com 6,49 homicídios por 1 milhão de pessoas, seguido pelo Amazonas, com 6,45.


Passeata


Na segunda-feira (13), centenas de moradores da cidade baiana de 32 mil habitantes saíram as ruas em protesto por justiça no caso dos professores. Com faixas contra a violência, o grupo promoveu paradas em frente ao fórum, à delegacia e à Camara Municipal.


Segundo o jornalista Uoston Pereira, do site local Notícias de Santaluz, foi uma das maiores manifestações que a cidade já viu. "A cidade tinha um grande carinho por eles."


Em todo o ano de 2015, Santaluz registrou seis homicídios, segundo a Secretaria de Segurança da Bahia. "São casos esporádicos, mas quase sempre relacionados ao tráfico de drogas", disse Uoston Pereira.


"Longe dos parques temáticos, do turismo cosmopolita e sem gozar do mesmo prestígio internacional de Orlando, Santaluz encurtou a distância geográfica da metrópole americana", escreveu o jornalista baiano André Uzêda, do portal Aratu Online, em artigo de opinião sobre o episódio.


 Fonte: BBC Brasil em Londres

Noticia 5631
Passeata que pediu justiça em caso de professores homossexuais mortos mobilizou população de Santaluz, no sertão da Bahia. Foto: Uoston Pereira/Notíci

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