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Rádios de Jequié: do impeachment à crise política que influenciou o conflito na 93 FM

17 de Novembro de 2017

Noticia 5899
Debates e conflitos políticos no Brasil influenciam os rumos das redações das rádios em Jequié. Foto: You Tube

O debate político que vem rachando o Brasil, em duas posições antagônicas, contrárias, desde antes do impeachment da presidente Dilma Rousseff também está presente em Jequié de forma intensa nas mídias sociais e parece que também chegou nas emissoras de rádio FM. Nos noticiários das emissoras, quando o assunto é nacional, em geral os apresentadores e comentaristas reproduzem totalmente a abordagem da grande mídia, muitas vezes de forma acrítica, salvo raríssimas exceções.


Desde o ano passado, um contraponto ao discurso hegemônico da grande mídia nacional começou a acontecer a partir das inserções do radialista Garcez Almeida na 93 FM, direto de Brasília, ao passar informações dos bastidores e disputas em torno do Palácio do Planalto e do Congresso. Nas locuções, ele apresenta as diversas leituras dos fatos, mas dando relevância também ao ponto de vista do movimento popular e da esquerda, algo que não aparecia nas notícias dos programadores locais. Durante as maquinações do impeachment, por exemplo, ele mostrou as ações e discursos dos vários atores políticos da oposição envolvidos.  


Como estão as disputas na atual conjuntura que refletem no perfil e no conteúdo dos programas de rádio de Jequié? Percebe-se que já está existindo uma pré-campanha eleitoral, não oficial, por conta da crise econômica e moral ampliada pelo governo Temer, com grandes denúncias de corrupção, que assumiu o poder por meio de uma manobra parlamentar contra a titular - que se configurou num golpe, conforme avaliações de muitos juristas e agentes políticos -, os ânimos na sociedade continuam se acirrando, sobretudo devido à caçada ao ex-presidente Lula, por parte da grade mídia e setores do judiciário, que tem as acusações contestadas pela defesa do ex-presidente de forma contundente.


Como grande parte da oposição que apoiou o impeachment e assaltou o poder, utilizando o discurso contra a corrupção, está na mira da justiça pelos ilícitos investigados e já com provas robustas, o que levou alguns à cadeia, como Eduardo Cunha, o discurso da antipolítica ganhou corpo e aumentou o desgaste dos partidos políticos e das lideranças políticas das diversas correntes políticas, sobretudo as tradicionais que  agora estão no poder, como Aécio, Serra e Alckmin, todos do PSDB.


Como resultado do desrespeito às regras do jogo democrático, a partir de um impeachment fraudulento, sem a demonstração do crime de responsabilidade, já admitido por vários políticos da oposição, surge no cenário vários nomes como candidato a presidente no campo da direita, como o Capitão Jair Bolsonaro – político que defende a ditadura militar e a tortura ocorrida -,  o prefeito de SP João Dória e, mais recentemente, o apresentado de TV Luciano Huck, nomes do campo conservador sendo testados pela elite que apoiou o golpe e que apóia a política neoliberal e de ataque aos direitos dos trabalhadores e do povo imposta por Temer, rejeitado pela população, mas com o apoio do “mercado” por sua posição entreguista.  


Apesar dessa movimentação, das manobras das elites com voz na grande mídia, as pré-candidaturas a presidente da República do campo popular e democrático surgem com força, como a do ex-presidente Lula (PT), e com destaque a de Ciro Gomes (PDT) e agora também se colocando no debate sucessório presidencial a Manuela D’Ávila, deputada do PCdoB. No momento, segundo as últimas pesquisas, as intenções de voto estão centradas mais em Lula, na liderança em todos os cenários, e Jair Bolsonaro, da extrema direita. Este quadro, certamente, influencia as leituras dos profissionais da mídia em Jequié que se mantém informados.


Diante desse contexto, a linha adotada pela maioria dos apresentadores ou comentaristas eventuais de política, nas rádios de Jequié, é de reprodução dos conteúdos das agências de notícia e sites do Sul e Sudeste do País, com discurso unificado com o grande empresariado e as organizações Globo, o núcleo de mídia conservador que pauta a política e na prática age como porta voz do discurso neoliberal e dos partidos conservadores, seja na defesa das reformas antipopulares de Temer, como a Trabalhista, ou no ataque aos partidos populares e de esquerda.


Não é à toa que todas as emissoras da Cidade Sol, de forma direta ou indireta, nos seus editoriais e notícias selecionadas e comentadas, apoiaram o direcionado movimento “cívico” contra a corrupção que culminou com a queda da presidente Dilma e agora praticamente se calam diante dos desmandos e entreguismo da política de Temer. Do mesmo jeito, a mídia radiofônica de Jequié não se importa e se omite diante das informações que mostram alternativas políticas autoritárias que pregam a intervenção militar, menosprezam a política, a democracia e o próprio estado de direito, discursos e práticas que, se vencedores, invariavelmente culminam no desrespeito à liberdade de expressão e de imprensa, como já se viu na história no País. Com o discurso moralista, de que “a classe política” que está aí não presta, há os que reforçam a quebra da institucionalidade  e a destruição da jovem democracia brasileira, conquistada com muito sacrifício e até com a perda da vida de muitos brasileiros que lutaram por ela.


O resultado dessa crise e leitura política parece que começa a refletir na 93 FM, emissora do deputado estadual Euclides Fernandes, do PDT da Bahia, segundo postagem desta quinta-feira (16) do blog de Zenilton Meira (BZM). Segundo o texto desta mídia, com o título “Conflito de opiniões pode explicar saída de Garcez Almeida do Jequié Urgente na 93 FM”, teria havido um choque de opiniões entre Garcez, que fora recontratado recentemente pela emissora, com o diretor de jornalismo Marcos Oliver, que tem opiniões opostas ao do colega que apresentava as notícias políticas direto de Brasília para o programa.


Veja alguns trechos dos trechos da postagem do BZM sobre o assunto:


De acordo informações Marcos Oliver tem pregado abertamente a adoção da pena de morte, a intervenção militar, apoiado o nome de Jair Bolsonaro como candidato a presidente, além de justificar como necessário o impeachment da presidente e atacar o PT e seus líderes principais, como fez nesta terça, ao pedir a prisão da presidente Dilma.


Ao contrário de Oliver, Garcez sempre classificou o afastamento de Dilma como golpe, além de condenar as ideias de intervenção militar, a implantação da pena de morte, criticar a candidatura de Bolsonaro, a violência policial e elogiar as políticas sociais implantadas pelo PT, posições que vinham contrariando o diretor de jornalismo da emissora.


Em um áudio enviado ao blog (clique para ouvir), Marcos Oliver nega interferência na saída do colega e também que tenha defendido tais idéias como apresentadas acima. Mas falou que defende, se necessário, algum tipo de intervenção para resolver os problemas políticos sérios do Brasil e acrescentou que, quanto ao impeachment da presidente Dilma, ela cometeu crime de responsabilidade, conforme a avaliação e deliberação do Congresso. Ou seja, Marcos concordou com o impeachment que colocou Temer no comando do poder federal, como muitos brasileiros na época. De fato, as opiniões políticas dos dois radialistas são diametralmente opostas. Estão em campos diferentes na análise da crise e das alternativas. A visão de mundo, como se sabe, interfere na escolha das  notícias, das fortes, na avaliação dos fatos e nas posições políticas. Como, segundo a postagem, Garcez não quis se pronunciar sobre o assunto, só a vida vai dizer se suas abordagens e análises políticas determinaram sua saída do programa de notícia matinal da 93 FM, comandado por Oliver.


De forma autônoma, Garcez iniciou recentemente, na 93 FM,  um programa intitulado “Mais Bahia”, no qual ele entrevista várias personalidades e lideranças do mundo político, empresarial e social de várias localidades do Brasil. De forma plural, diversas vozes são ouvidas. Tomara que não calem essa opção.  


Quanto às mídias de Jequié, como as emissoras de rádio, seria bom que debatessem, de forma plural, os temas de interesse da nação e observassem de forma mais crítica as notícias veiculadas pelas agências e as grandes mídias monopolistas, empresas que não são neutras – não há neutralidade em nenhuma mídia –, antes de defenderem e divulgarem o que elas noticiam, pois todas as corporações têm interesses políticos e econômicos que, em geral, não coincidem com interesses populares e da nação.

Noticia 5899
Marcos Oliver e Garcez Almeida, radialistas que atuam na 93 FM, teriam tido um choque de opiniões, segundo o blog BZM. Foto: BZM

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